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Current mood:
sad (She's gone!)
Na segunda-feira (17/09) nós voltamos para a USP, dessa vez sem meu pai, e a Lady estava muito cabisbaixa mesmo. Começei a me preocupar, e mesmo durante o fim de semana, eu tive pensamentos que chegaram a beirar a desilusão com tudo e todos. Eu não achei que ela fosse conseguir se manter viva até esse dia. Mas ela, sendo forte como sempre, me mostrou o contrário!
Ela passou a tarde no soro, e a tereza acabou colhendo um outro hemograma. Dessa vez deu tudo mais estável e certinho. O que me aliviou um pouco, mas não me deixava menos preocupado, porque quando eu perguntava para ela sobre uma cura para a Lady, ela sempre respondia que isso era um pouco dificil, e que nós tinhamos que pensar me dar qualidade de vida para ela, nessa fase de sua vida.
Pra mim, era muito difícil pensar assim. Como eu daria uma qualidade de vida para um cão que não conseguia andar, não comia mais direito, não bebia mais água direito. Eu não conseguia acreditar que aquilo acontecia com ela. Achava que a qualquer momento toda aquela situação aterroradora acabaria bem!
Eu não gosto muito de me lembrar, pelo menos não nesse momento dessa semana. Por isso eu vou deixar aqui apenas um resumo rápido do que houve.
A Lady realmente não estava bem. Eu tinha consciência disso e até mesmo pensei na eutánasia. Não posso dizer que isso é atitude de pessoas fracas, de pessoas sem coração. Mas creio que seja uma última conseqüência. Uma última alternativa de tirar a dor de um animal, ou de um ser querido. Ela não me pediu isso. Ela me olhava, mas não sabia se era com um olhar de gratidão pelo que eu tava fazendo por ela, ou se era com um olhar de clemência. Eu realmente pensei na eutanásia, até mesmo porque a minha mãe sugeriu isso, mas ao mesmo tempo ela me ensinou algo
"Onde há um fio de vida, há esperança"
E foi com essa frase que eu sobrevivi às minhas angústias até o fim da semana!

Foto: Ivan Chagas.
A respiração dela já não era mais a mesma. Ela não comia mais NADA. A ultima vez foi na segunda-feira. Ela devorou meu mousse de limão!!!rsrsrs...e depois comeu dois potinhos de yogurt de morango! Foi uma cena deliciosa! Ela estava plena Lady naquele momento de dor pra mim!
Na quarta-feira (19/09) ela não comeu, eu levei-a no Damien para deixa-la no soro. Ela não melhorou, mas também não piorou. O mesmo se arrastou até à sexta-feira (21/09), quando ela tomou mais soro, e eu acabei acertando com o Damien de ir no sábado de manhã para fazer um exame de glicemia, para saber se estava tudo bem nesse ponto.
Fiquei com a Lu até as quatro e meia da manhã olhando a Lady. Ela não estava passando bem e chegou a vomitar um pouco na madrugada. Sua respiração já estava fraca e seu olhar perdido. Ali eu a deixei confortável, e agradeci por tudo que ela tinha me proporcionado durante os dez anos mais maravilhosos da minha vida.
Ela foi a amiga fiel e brincalhona que não tive na minha adolescência, enquanto eu era excluído no colégio. Foi com ela que eu joguei muita bola, e rolei na grama. Suas lambidas me faziam rir, e suas mordidas me deixaram marcas. Foi tudo muito intenso. E o que fiz, de deixá-la ficar até o final, juro não ter sido por egoísmo, mas sim por medo de perdê-la. POr medo de perder uma parte de mim. Até mesmo nossos olhares eram iguais. Não é à toa que dizem o cão ser espelho do dono. Não é à toa!
No sádabo de manhã a minha casa já não era a mesma. Ela não estava mais ali. A Lu não de deixou vê-la pela ultima vez. O "nosso" ultimo momento que me lembro foi de dizer à ela: "Durma bem, que segunda-feira está ai e tudo se resolverá!"... Não deu tempo. Não tivemos tempo. Eu tentei. juro que tentei o máximo que pude, e espero que você tenha visto o quando eu tentei fazer por você e o quanto amei estar ao seu lado e ter o prazer da sua compania.
Você foi e sempre será o melhor presente de aniversário que alguém poderia ganhar. E agora você está aí, no lugar que você mais gostava, que é o nosso sítio. Onde você cresceu e teve as mais gostosas experiências que um cão amigo poderia pedir pra ter. Que você fique em meio à muita paz e tranquilidade. Isso era o que o seu olhar me passava. Isso era o que você era pra mim. Um momento de paz e alegria.
Ouvindo: Better together - Jack Johnson. Uma música lembra uma pessoa. Essa canção vai me lembrar você. Pra sempre, pode ter certeza!
Agradeço muito aos que torceram para que tudo tivesse um final feliz, mas não foi dessa vez.
Agradeço à Lu por me mostrar, na real, pela primeira vez na minha vida, que nem sempre tudo que a gente quer, a gente pode ser, ter, ou fazer, mas que vale a pena viver e sentir todas as emoções que um ser humano pode viver!
Agradeço à minha mãe por ser....a minha mãe!
Agradeço a Má por estar mais uma vez num momento dificil junto à mim.
Agradeço à minha irmã por estar, mesmo disfarçadamente, tentando de fazer sentir melhor nessa fase pós-traumática.

criado por ivan chagas
21:00:23Current mood:
determined ( I WILL save her!)
Chegando na USP, tivemos que passar com a Lady por uma triagem cirúrgica, pelo fato de ter sido um tombo, e isso poderia ter quebrado algo nela. Eu, à essa altura, já descartava essa possibilidade.
Desde o dia em que ela não andava mais, eu começei a carregá-la no colo para todos os lugares. Isso me acalmava ao mesmo tempo, pois, para mim, era uma forma de ter um contato pele com pele, mais forte, mais intenso. Eu me sentia muito na obrigação de retribuir o tanto de benfeitorias que ela já havia feito pra mim. Naquele dia eu decidi: por ela, eu iria até o fim!
Na triagem, uma veterinária muito simpática nos atendeu. Cecília era o nome dela. Ela achou que fosse uma hérnia de disco, mas depois acabou saindo e entrando com todos os exames da Lady, que eu tinha levado comigo, para analisar juntamente com outros especialistas, e voltou com uma notícia que eu preferiria não ter ouvido.
Ela disse que talvez eles tivessem uma outra suspeita maior, e mais grave, que seria um "Mieloma múltiplo", um tipo de câncer na medula óssea dela, como uma leucemia nos humanos, e que isso estaria acarretando todo o quadro de paralisia. Ela disse que naquela sexta-feira eles estavam muito lotados de consultas, mas que ela tentaria um encaixe para a Lady no mesmo dia, já que o caso era de urgência. Conseguimos, mas tivemos que esperar bastante.

Foto: Ivan Chagas.
Fomos atendidos pela Tereza Lourenço, uma outra veterinária que foi super bacana com a gente, que realmente expressava os sentimentos pela Lady, e por qualquer outro animal, sem hipocrisia e falsidade, o que, pra mim, é de extrema importância. Ela fez um questionário enorme, pra saber tudo direitinho que tinha se passado com a Ladynha até o presente momento. Eu tentei não deixar passar nada! Nadinha mesmo.
A veterinária acabou fazendo dois exames na Lady. Uma eletroforese, que segundo ela, era como uma magnetização das células sangüíneas, que formariam um gráfico, e dependendo dele, daria um resultado propício para o mieloma, e também ela colheu urina, porque quando o cão tem mieloma, uma proteína, que me parece chamar Bense-Jones é muito presente no animal. O resultado do primeiro teste, para a minha angústia, sairia apenas dez dias depois.
O fim de semana foi muito tenso. Angustiante, mas ao mesmo tempo mágico, pois eu me aproximei ainda mais da minha cachorra, que era toda a atenção para mim naquele momento!
Currently listening: In Between Dreams by Jack Johnson.

criado por ivan chagas
19:59:48Current mood:
depressed
No domingo (09/09) à noite, a Lady já não aparentava estar muito bem, não estava muito segura da sua maneira de andar, não queria comer muito, e bebia bastante água. O dia estava quente, e eu achei que poderia ser por essa razão.
Eu não sou de deixar as coisas muito para a última hora, e sempre acho mesmo que se tem que correr atrás do que você acha certo. Por esse pensamento é que liguei no domingo mesmo pra minha amiga jennifer e perguntei o telefone do irmão dela, o Damien, que é veterinário aqui em Bragança. Na mesma noite ele me pediu que levasse a minha cachorra na casa dele para que ele desse pelo menos uma averiguada no quadro dela.
Ele disse que aparentemente ela não tinha nada de sério, mas que o melhor naquela situação seria realizar um hemograma completo, e juntamente uma radiografia da parte traseira dela, para analisar alguma possível lesão na coluna, ou em alguma vértebra dela. Eu começei a acreditar mais numa possivel e rápida recuperação da "Laydoca", que eu tanto estimava.
Na segunda-feira mesmo já fui logo de manhã colher o exame de sangue dela, e também fui à FESB para fazerem a radiografia dela. A radiografia acabou não podendo ser feita na segunda, eu teria que marcar, e assim sendo, consegui que realizassem só na terça-feira (11/09).

Foto: Ivan Chagas.
Levei pro Damien na terça-feira mesmo, e já peguei o resultado do hemograma com ele. Sobre o teste de sangue, ele me disse que não havia nenhuma alteração muito significativa, mas que isso também não descartava a possibilidade de uma inflamação. Ao ver as duas projeções de radiografia da Lady (uma látero-ventral, e outra látero-lateral), ele disse que poderia haver uma lise (quebra) óssea, mas que isso não seria necessariamente pelo fato dela ter caído naquele dia, do carro. Poderia ser alguma coisa mais profunda e extrema.
O problema é que aquela porcaria de FESB tinha realizado uma merda de radiografia, que não dava pra ver praticamente nada. Assim sendo, o Damien me pediu que "comprasse" um laudo na propria Faculdade. Eu liguei de volta lá, e eles me disseram que só na quinta-feira (13/09) eu poderia obter esse laudo, já que o veterinário que o realizaria vinha de São Paulo. Eu paguei R$35 pelas radiografias, e teria que pagar R$45 SÓ PELO LAUDO, que demoraria dois dias angutiantes!!!
O Damien acabou me indicando um outro local, uma clínica especializada, na cidade de Jundiaí, à uns trinta e poucos minutos daqui de Brag., que com certeza realizaria um exame com qualidade superior, e laudo de série. Foi realmente o que aconteceu. Eu liguei na Climev (www.climev.com.br), e agendei para o dia seguinte (12/09), uma consulta que me custaria menos do que na FESB, e que a qualidade seria infinitamente superior.
A Lady nesse ponto já estava andando com muita dificuldade. Uma paralisia começou acometeu seus membros posteriores, e ela andava com as patas traseiras meio que cruzadas, tentando se manter de pé, o maior tempo que podia. Foi nesse momento que eu começei a ser negativista, e a chorar muito, não minto, pois me dava muito dó de ver a minha cachorra naquela situação tão triste.
Como ela tinha que se apoiar nas patas traseiras para fazer suas necessidades básicas, ela estava "travada" nesse sentido. Minha mãe e eu tivemos a idéia de segurá-la com um pano, para que ela tivesse o mínimo de apoio. E assim foi. Ela conseguia ir "ao banheiro" pelo menos algumas vezes ao dia.
Eu enchi muito o saco do Damien, porque a todo momento que eu achava que a Lady não melhorava, eu ia até o pet shop onde ele trabalha, para ver se ele podia ajudar de alguma maneira. A atenção, o carinho e a paciência que ele teve com a Lady foram fundamentais.
No laudo da nova radiografia, saiu que poderiam ser duas coisas: Osteomielite (inflamação óssea), ou Metástase (subdivisão de células cancerígenas, ou seja, um tumor que estava se espalhando para outras áreas). Essa segunda parte me assustou mais do que tudo. Nessa hora eu realmente entrei em desespero.
Na quinta-feira eu vi que a Lady não estava muito bem, e começei a suspeitar que poderia ser a doença do carrapato, aquela da "tristeza". Carreguei a Lady para o pet-shop novamente, e pedi para que o Damien injetasse novos remédios. Dessa vez com a ajuda da Cláudia, a veterinária que é dona do estabelecimento, eu achei que tanto pra mim, quanto pro Damien, tudo parecia um sopro de ar fresco. Ela tinha dado uma nova cara para a situação, com remédios novos, mais fortes, e que conseqüêntemente, dariam resultados mais satisfatórios.
Esperei até sexta (14/09) de manhã, e não me aguentando mais de ansiedade e de desespero, acabei indo juntamente com meu pai e minha mãe, levando a Lady para São Paulo, no HOVET (Hospital Veterinário - USP), onde ela acabaria passando por uma triagem, e no mesmo dia, ou em outro dia, passaria por uma consulta mais aprofundada, com um especialista, dependendo da gravidade do caso.
Currently listening: On and On, by Jack Johnson.

criado por ivan chagas
19:13:36Current mood:
depressed
A Lady tem nove anos e 10 meses de idade. Quase dez anos de muitas alegrias dadas e recebidas. Já fazia algum tempo que eu queria realizar uma operação de castração nela. Ela já teve uma cria linda, quando tinha quase três anos. Filhotes saudáveis, uma vida saudável, uma cachorra em perfeito estado de espirito!
Pelo fato dela estar com uma idade mais avançada, com quase dez anos, a veterinária me alertou do fato de que a cirurgia, agora, poderia ter certos riscos, e para tanto, era melhor realizar um ultra-som, e verificar se o útero dela não estava em estado de Piometra (uma certa camada de pus, já que as cadelas ficam na posição horizontal, e portanto, muitas vezes o corpo não dá sinais de vazão para esse pus). No dia seguinte eu fui numa faculdade que tem aqui em Bragança Paulista, a FESB, e consegui que eles realizassem o exame na Lady.
Na mesma hora em que saiu o resultado do exame da minha cachorra, eu já levei-o para a Márcia, de volta, para que ela desse o aval dela, tanto para a operação, quanto para outras coisas que o ultra-som pudesse revelar. Não creio que ela tenha feito o certo. Não creio mesmo.

Foto: Ivan Chagas.
No laudo do exame, deu que a Lady estava com o útero e ovários em perfeito estado, mas que tinha o baço um pouco aumentado, e que teriam três nódulos nesse mesmo órgão. O fígado também estava um pouco avantajado, mas nada que fosse muito suspeito. Esse aumento do baço, mais os três nódulos poderiam ser conseqüência de uma doença, ou recuperação de alguma cirurgia que ela teria passado. O ultra-sonografista até mesmo revelou uma possível doença do carrapato.
A Márcia disse que isso era impossível, já que essa doença é popularmente conhecida como "Tristeza", devido ao fato do cão ficar muito fragilizado, não andar, não comer, não beber água, entre outros sintomas. Realmente, a Lady não tinha nada disso até então. E muito menos anemia, que seria uma outra possiblidade de diagnóstico. Ela parecia estar com a saúde em perfeito estado.
Eu continuei medicando a Lady até o feriado, de 07 de Setembro. Ela ainda estava um pouco receosa para pular, mas andava normalmente até o presente dia.
Foi quando eu começei a notar que ela não estava exatamente "normal". Ela tinha um andar um pouco diferente sim. Como se andasse com as patas traseiras mais abertas, para que talvez pudesse se apoiar mais facilmente. Eu definitivamente já estava MUITO preocupado com a minha dálmata.
O feriado passou, e ela não aprensetou nenhum problema, a não ser essas passadas mais largas, mas eu ainda não fazia idéia do que viria pela minha frente. Eu não sabia qual era o karma que me aguardava.

criado por ivan chagas
15:27:33Current mood:
depressed
Minha cabeça tá girando como um tornado. Eu realmente nunca imaginei que teria que passar pelo que estou passando.
Não sei se alguém já parou para se perguntar o que significaria a palavra Karma. Eu pesquisei e achei o significado desse termo como:
"Karma é o equilibrio de todas as coisas boas e ruins que você já realizou"
Eu fico me perguntando, o que de tão mal eu fiz para ter que passar por essa situação?!
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Após o tombo que a Lady levou do carro, ela só voltou pra casa na segunda-feira (03/09), aparentemente sem problemas. Eu só a vi mais pro final da manhã, umas 11 horas. Não achei que ela estivesse mal, com algum osso quebrado ou algum problema parecido.
Até então eu não sabia do tombo. Pergutei pra minha mãe porque a minha cachorra estava quieta daquele jeito. Ela sempre foi muito espoleta, sempre super-ativa, abanava o rabo branquelo a todo momento, pra todo mundo!
Achei aquilo estranho, porque apalpando-a, ela parecia ter um pouco de dor, mas nada que eu devesse me preocupar demais. Mesmo assim, não sossegaria se não a levasse ao veterinário. Foi o que fiz. Quase uma da tarde eu coloquei-a no carro e levei na veterinária proxima de casa. Márcia, a veterinária, a apalpou, e viu que a Lady estava receosa por causa da dor nas costas, mas disse que não era nada muito grave, e aplicou um antiinflamatório nela, e receitou provavelmente o mesmo remédio, em drágeas para que eu pudesse comprar na farmácia e continuasse a medicando em casa. Ainda deixei a Lady na veterinária para que ela pudesse tomar um banho, talvez assim relaxasse mais e melhorasse mais rápido.
Não foi o que aconteceu, e o meu drama estava apenas no começo!

criado por ivan chagas
15:13:05