Acid Boy

Um blog feito por um Jornalista (por formação), e crítico de cinema (por insistência e paixão). Aqui se encontra, ao menos alguma parte de você em mim, nas minhas palavras e pensamentos. So, keep coming back for more!

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 18

18.02.08

... Crítica de cinema: Os donos da noite ...

Current mood:  ok.

 

Os donos da noite: guerra do tráfico, made in USA.

 

 Não é de hoje que o cinema brasileiro é bastante criticado pelos temas que aborda. O assunto que, particularmente incomoda muito, é o trafico de drogas. Já sabendo que uma película irá abordar tal tema, o que se espera, além disso são: sexo, violência - inclua aqui armas pesadas e muito sangue – e drama para equilibrar os elementos citados, e fazer com o que o filme tenha apelo sentimental.

 

É sabido que o que talvez marque o cinema nacional, é o explícito. Tanto pelo lado sexual, quanto pela violência sem precedentes. O problema não está no que é mostrado, mas o modo como isso é feito. Quando o mesmo tema é transportado para Hollywood, somando-se atores de fama e reconhecimento mundiais, e principalmente apoiado num drama familiar, parece que tudo se ameniza.

 

O caso descrito acima é muito bem representado por Os donos da noite (We own the night, EUA, 2007), que acaba de chegar em DVD nas locadoras brasileiras. Na Nova Iorque do final dos anos 80, uma nova droga começa a invadir a maior cidade do mundo, através da máfia russa, e vira sinônimo de grande dor de cabeça para a polícia local. Como é de costume, juntamente com o entorpecente, a violência assola a cidade, e uma guerra sem precedentes é declarada entre esses dois “mundos”.

 

Entre esse fogo cruzado, está Bobby Green (Joaquin Phoenix, indicado ao Oscar por Johnny e June), gerente de uma casa noturna, que é freqüentada por membros da máfia russa. Apaixonado por Amada (a sensual Eva Mendes, de Motoqueiro Fantasma), seu sonho é dar cabo desse trabalho sujo e ter a sua própria boate em Manhattan. Para que isso se concretize, ele precisa esconder à sete chaves um grande segredo.

 

O que Bobby tenta esconder para manter sua credibilidade com os russos é o fato de seu irmão Joseph (o sempre mal encarado Mark Wahlberg, de Os infiltrados), ser o tenente de polícia que segue os passos de seu pai, o lendário chefe de polícia Burt Grusinsky (Robert Duvall, de Obrigado por fumar). Sabendo que o Bobby não é o tipo de filho que todo pai gostaria de ter em casa, Burt tenta alertá-lo dos perigos que essa nova guerra que está para se desencadear na big apple, e lhe dá um ultimato: ele tem que decidir de que lado ele está.

 

Os donos da noite é o terceiro trabalho do jovem diretor James Gray como diretor, e seu maior reconhecimento no meio cinematográfico até então. Talvez seja exatamente por essa falta de “experiência”, que James consiga fazer um trabalho tão límpido, simples e coeso como esse. Afinal de contas, juntamente com a falta de outros tantos trabalhos, vem a ausência de influencias e da síndrome de “diretor-popstar”, pela qual muitos cineastas têm passado nos últimos anos.

 

A filmagem de James lembra bastante as boas e velhas fitas de guerras entre mafiosos e a polícia americana. É fato que existem clichês, como o filho que foi colocado de lado, mas volta para seguir os passos da família e “vinga-la”, ou então o filho que segue os passos do pai, apenas para satisfazer o desejo desse, colocando seus objetivos pessoais de lado. Porém dentro disso, há também ótimas construções de seqüências, como os takes em slow motion (câmera lenta), a pureza dos dramas e amores familiares, e em especial, uma seqüência de uma luta “carro-a-carro”, em plena chuva.

 

Sem delongas, Os donos da noite é um filme bonito e fácil de ser visto, não é tão ágil quanto parece, fica longe de dramas afetados, e acima de tudo, cria o pensamento fundamental de “que tipo de homem você está decidindo ser?”, envolvendo elementos muito bem realizados por James Gray, um bom diretor que, juntamente com a fita, merece o reconhecimento que está tendo.