Acid Boy

Um blog feito por um Jornalista (por formação), e crítico de cinema (por insistência e paixão). Aqui se encontra, ao menos alguma parte de você em mim, nas minhas palavras e pensamentos. So, keep coming back for more!

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 29

29.02.08

...: Juno - queridinho do momento :...

Current mood:  okay.

 

Juno: a tênue linha entre juventude e a esquisitice.

 

 No último domingo, 24 de fevereiro, aconteceu a maior premiação de cinema mundial: o Oscar. Tapetes vermelhos, pessoas bem vestidas, outras nem tanto, celebridades aos montes, choros de tristeza, lágrimas de alegria, discursos curtos, outros longos, enfim, uma cerimônia que tem lá seus itens de série, e que atrai milhões de espectadores ao redor do planeta. Para a minha falta de sorte, eu não consegui ver o Oscar. Sim, logo eu. Mas talvez eu possa dizer que foi por uma boa causa, afinal troquei uma festa de cinema, pelo cinema em si.

 

Infelizmente, para nós, brasileiros, acompanhar o Oscar é uma tarefa um tanto quanto difícil. Nessa época do ano, os filmes tendem a chegar nos nossos cinemas e locadoras em uma velocidade um pouco maior, mas não tão logo quanto no hemisfério superior (comprovando que, quando se quer, se pode acompanhar os cinemas americanos). Piaf, um hino ao amor, é um exemplo recente, pois mal saiu dos cinemas brasileiros, já estava, há duas semanas, nas locadoras do país.

 

Eu fui aos cinemas com apenas um intuito: assistir a um filme que estivesse concorrendo em alguma categoria do grande premio de cinema. Isso era fato para mim, e nada poderia sair do script. Como disse anteriormente, o Brasil não acompanha os lançamentos americanos com o mesmo “afinco”, portanto, eu não tinha uma gama de opções como achei que pudesse ter. O que me restou, foi Juno (Juno, EUA, 2007), que havia estreado na sexta-feira, 22, e estava concorrendo ao Oscar em 4 categorias (Melhor Filme, Melhor Atriz (Ellen Page), Melhor Direção, e Melhor Roteiro Original).

 

Eu confesso que a minha curiosidade em assistir Juno era maior do que ver qualquer um dos outros concorrentes. Mas ao mesmo tempo tinha um enorme receio, pois nunca tenho sorte com filmes que viram queridinhos do publico, da noite para o dia. Mesmo assim, a situação estava bem favorável à história, que, até onde sabia, girava em torno de uma adolescente, que engravidara, mas não ficaria com o bebê, e arrumaria uma maneira de “se livrar do problema”.

 

Eis aqui a minha segunda confissão: não apenas assisti o filme, como realmente me tornei mais um admirados em meio à essa massa que o colocou entre o “queridinho do ano”. E sei exatamente o porquê disso. Em meio há tanta pasmaceira, grandes produções que gastam montes de dinheiro, e só pensam em retorno certo, ou dramas que são feitos exatamente para ganhar Oscar, Juno mostra como é possível ser bom, sem ser preso a um estilo de vida hollywoodiano.

 

Juno MacGuff (uma inspirada Ellen Page, do aflitivo Meninamá.com), é uma garota de 16 anos, que talvez seja a representação fiel de uma grande parte dos adolescentes norte-americanos. Extremamente avoada, cabeça fresca, sempre com as melhores (e também as piores) respostas na ponta da língua, mas sem um pingo de juízo, ela se depara com uma situação muito comum em todo mundo: a gravidez indesejada. O pai da criança? Seu melhor amigo, transa de uma noite apenas, e grande bobalhão Paulie Bleeker (Michael Cera, de Superbad – é hoje).

 

Não vendo outra saída, já que o aborto é algo pelo qual ela não se predispões à passar, Juno resolve contar ao seu pai, Mac (J.K. Simmons, de Homem-Aranha), sua situação, e principalmente sua decisão: ela havia escolhido um casal (Jennifer Garner, de Alias e Jason Bateman, de A loja mágica de brinquedos), e doaria a bebê à eles, facilitando assim a sua vida, e ajudando pessoas que realmente necessitavam.

 

O diretor Jason Reitman (do ótimo, Obrigado por fumar), realiza uma filmagem recheada de influencias pop (e até mesmo da pop art), um humor ácido, porém honesta e além de tudo, repleta de sensibilidade. Juno é uma película que alça vôo bem alto, e para bem longe dos estereótipos de Hollywood. É uma prova concreta de que filmes independentes ganham, cada vez mais, força e importância no cenário cinematográfico.

 

Na competição pelas estatuetas douradas Juno acabou não se saindo tão bem quanto poderia, mas, merecidamente, abocanhou o prêmio de Melhor Roteiro Original, dado à Diablo Cody, que, juntamente com a película anda ganhando credibilidade exacerbada. Para essa moça, que, pra mim, num jogo de marketing, se diz ex-stripper, ex-atendente de tele sexo, e bloggeira, eu desejo todo cuidado, para o sucesso não subir-lhe à cabeça, e que ela ainda realize muitos outros roteiros tão bons quanto de Juno.

 

 Currently listening: Exclusive, by Chris Brown.