Acid Boy

Um blog feito por um Jornalista (por formação), e crítico de cinema (por insistência e paixão). Aqui se encontra, ao menos alguma parte de você em mim, nas minhas palavras e pensamentos. So, keep coming back for more!

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Arquivo de: Julho 2008, 22

22.07.08

...: Batman - O cavaleiro das trevas :...

Batman – O cavaleiro das trevas: simplesmente caótico!

 

 Para mim, criar um texto logo após uma sessão de cinema, é uma tarefa extremamente dificultosa. Necessito tempo. Necessito sintetizar todas as informações, divagações e expectativas que passam pela minha cabeça quando presencio uma obra. E dessa vez está ainda mais difícil. Não é uma obra qualquer, é uma das maiores obras-primas do cinema atual. Sei que pessoas me chamarão de exagerado, mas só o poderão fazer depois de ter a mesma oportunidade que tive: assistir Batman – O cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008).

 

Sem duvida alguma, o segundo filme da nova franquia do Homem-Morcego é o mais esperado de todos os tempos, não apenas nessa categoria de super-heróis. Alguns elementos ajudam a aumentar a ansiedade, tanto no público específico - os adoradores de histórias em quadrinhos e os cinéfilos declarados, quanto naqueles que encaram a sétima arte como apenas mais uma forma de entretenimento.

 

As expectativas começam a partir do título. É a primeira vez que o nome do personagem principal, do super-herói, da face obscura do bilionário Bruce Wayne (Christian Bale, de Os Indomáveis), o Batman, não aparece nem como título, ou ao menos subtítulo. Nessa aventura, tudo se resume apenas em O cavaleiro das trevas. Curioso? Não. Iria além, em dizer intrigante, se encararmos de frente o fato de o homem-morcego ser, nesta fita, um mero coadjuvante perante o que seu maior arquiinimigo, o Coringa, representa aqui.

 

Quando soube da morte de Heath Ledger (indicado ao Oscar por O segredo de Brokeback Mountain), o intérprete de um dos maiores vilões das HQs, o próprio Coringa (Joker, em inglês), a primeira coisa que me veio à mente foi: “O cavaleiro das trevas ganhará muito impulso no aspecto publicitário!”. E aqui, hoje, eu pago pelo que disse, afinal de contas, eu sinto ainda mais pela morte de Ledger, pois ele não está entre nós para poder colher os louros de uma fama que quebraria barreiras e ultrapassaria limites, após o lançamento desse Batman, afinal de contas, o intérprete do Coringa é, 95% o que O cavaleiro das trevas exibe nas telonas.

 

Eu sei que não vou me acostumar com o fato de Christian Bale ser o atual Batman. Não gosto de como ele o interpreta. Seus lábios e sua dicção me fazem sentir desconfortável. Porém não reclamo em excesso, afinal de contas, não saberia eleger um novo Bruce Wayne para contornar as falhas de Bale. Mais uma vez, no Batman atualmente em cartaz nos cinemas, sua presença pouco importa.

 

Preciso elucidar mais uma vez como é difícil digerir a façanha do diretor Christopher Nolan (O grande truque) de ter conseguido realizar um trabalho extraordinário, e fazer O cavaleiro das trevas se elevar ao posto de obra-prima cinematográfica, e não apenas mais um filme baseado em histórias em quadrinhos, como tantos outros que pipocam aos montes, sem qualidade e fidelidade alguma aos gibis. Nessa nova empreitada, Nolan não recorta pedaços de quadrinhos para colar em tela grande. Ele reinventa um herói que apenas se assemelha em partes com o Batman que existiu até aqui.

 

Indo agora para a história em si, quero dizer pouco. Nunca fui estraga prazeres em minhas críticas, e não é agora que começarei a ser. Nessa nova aventura, o que mais interessa são: caos, destruição e descontrole total do ser humano. É por isso que o Coringa prima, e é assim que O cavaleiro das trevas deve ser apreciado e analisado. Como um filme repleto de personagens que quebram paradigmas a todo instante para, juntos, construirem um só novo paradigma. Indestrutível.

 

Há algum tempo eu descrevi o personagem de Javier Bardem em Onde os fracos não têm vez como, parafraseando a mim mesmo: “um dos personagens mais indecentes – no sentido de complexo e insano – que o cinema já formou”. Não volto na minha decisão de ter escrevido tal frase, mas me deparo mais um vez com a figura de Heath Ledger, em O cavaleiro das trevas me fazendo repensar sobre o que já escrevi, pois agora, assim como o filme, preciso ir além.

 

 

 

 

A sensação é de estranheza em ver o Coringa nas telonas, pois a dificuldade é imensa em reconhecer o ator por trás da maquiagem borrada, que escorre no jovem rosto de Ledger, e faz o coringa de Jack Nicholson sem sentido em ser aclamado – ainda bem. Os cabelos um pouco compridos, dão a mobilidade necessária e inquieta ao personagem que, em apenas uma hilária cena, dentro de um hospital, se desvencilha de seu inseparável terno roxo.

 

A insanidade, loucura, descontrole total, ele mesmo explica no filme: “Você mudou as coisas...e na visão deles, você é um louco, como eu”, para o Batman. Ou ainda: “Por quê tão sério? Vamos colocar um sorriso nesse rosto!”, com uma faca nas mãos, pronto para cortar os lábios de orelha a orelha, de qualquer um que atravesse o seu caminho. Não lembro ao certo a frase que o Coringa diz ao Homem-Morcego em sua cena derradeira, mas ele praticamente filosofa sobre anarquia, destruição da ordem pública e descontrole de um povo que facilmente perderá a cabeça.

 

Complementando o assunto, ele ainda fala sobre o fato de ter corrompido o intocável Harvey Dent, novo promotor público de Gotham City (ainda com a mesma cara de Nova Iorque), interpretado com muito afinco por Aaron Eckhart (do excelente Obrigado por fumar). Aliás, o próprio promotor destila uma frase à lá Coringa, que define bem o seu papel em O cavaleiro das trevas e quem sabe além: “Ou você morre como um herói, ou você vive o bastante para se ver transformar em vilão”.

 

A parte feminina da fita, Rachel Dawes, fica a cargo da feinha Maggie Gyllenhaal (Mais estranho que a ficção). Por sorte, a insossa Katie Holmes, teria recusado interpretar a personagem que já havia feito em Batman Begins, por incompatibilidade de agendas. Outras duas atrizes que concorriam ao papel do grande amor de Batman, eram Rachel McAdams (Diário de uma paixão) e Emily Blunt (O diabo veste Prada), que obviamente são mais belas. O talento falou mais alto.

 

Como de costume, o Morcegão ainda conta com a indispensável ajuda, principalmente psicológica, de Alfred, seu mordomo, o sempre excelente Michale Cane. O realizador dos grandiosos e vanguardistas projetos de armaduras, customizações e engenhocas para que o super-herói combata o crime organizado de Gotham, ficam mais uma vez, a cargo de Lucius Fox (Morgan Freeman).

 

 

 

Eu poderia dizer que, enfim, Batman – O cavaleiro das trevas é um filme indescritível, mas estaria mentindo, afinal de contas, olhe para cima e veja o quanto dissertei sobre a fita. Mas o que posso mesmo elucidar é o fato de meu texto ser do tamanho da realização de Christopher Nolan e companhia. É um trabalho grandioso e sem falhas. Não posso me arriscar a dizer que é definitivo, mas não me agüentaria... O cavaleiro das trevas é definitivo sim. Pelo menos por enquanto.