Acid Boy

Um blog feito por um Jornalista (por formação), e crítico de cinema (por insistência e paixão). Aqui se encontra, ao menos alguma parte de você em mim, nas minhas palavras e pensamentos. So, keep coming back for more!

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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008, 05

05.09.08

:: Crítica: O amor não tem regras ::

Current mood:  ok.

 

Crítica de cinema

 

O amor não tem regras: Clooney, football, comédia e amores nos anos 20.

 

 Em qualquer ângulo que analisemos, podemos constatar que a vida é feita de ciclos. Nos costumes, nos padrões, na moda, na música, e como o cinema é a representatividade conjunta de diversos desses elementos, ele acaba sempre passando por ciclos, como conseqüência.

 

Retratar o passado em uma película, de forma original e concreta, é um feito realizado por poucos. E quando digo passado, não me refiro a cinco ou dez anos passados, e sim a décadas, centenários, ou até mesmo milênios. Porém, quando feitas essas regressões a tempos longínquos, os gêneros mais prováveis a serem explorados pelas películas são drama e aventura, como vemos aos exemplos de clássicos como Ben Hur, Em nome da rosa e E o vento levou..., ou até os mais recentes Elizabeth – A era de ouro e Sangue Negro.

 

A comédia, gênero desmoralizado por “besteiróis”, e conseqüentemente desprezado pelas grandes premiações, como o Oscar e Globo de ouro, ao meu ver não tem, até hoje nenhuma película que possa representar uma época passada de forma leve e graciosa, como é de seu estilo, mantendo distância do chamado pastelão. Retificando: Não tinha um representante.

 

O inquieto ator e eterno galã de Hollywood, George Clooney, tem registrado seu nome no hall da fama há tempos. Porém, é atrás das câmeras que também vive sua outra paixão: dirigir. Até então, ele tinha tido êxito no chatíssimo Boa noite, e Boa Sorte, indicado a seis Oscar, em 2006, ano em que o ator levou o prêmio de Melhor ator coadjuvante por Syriana – A indústria do petróleo.

 

Após emergir em filmes densos como Conduta de Risco, e ficar um pouco afastado da direção de filmes, Clooney retorna na frente e atrás das câmeras com O amor não tem regras (The Leatherheads, EUA, 2008), uma película que pulou as salas de cinema brasileiras e aportou diretamente em DVD nas locadoras do Brasil nesta semana, e que, mais uma vez, possui uma tradução de título completamente alienada a seu enredo – leatherhead seria algo como “cabeça de couro”, devido ao fato dos jogadores de futebol americano utilizarem capacetes confeccionados do material bovino.

 

Com muita simpatia, charme e diversos filtros de coloração sépia para dar o ar retro às filmagens, George Clooney volta quase oitenta e cinco anos no tempo, para retratar o início da profissionalização do football - um dos esportes mais idolatrados pelos americanos.

 

Ouvindo assim dizer, pode-se até imaginar que, assim como em Boa noite, e boa sorte, essa inebriante atmosfera antiga criada pelo diretor, acaba por deixar o filme monótono e sem graça. Mas diferentemente do primeiro filme, em O amor não tem regras, Clooney fez um trabalho completamente oposto, quando inseriu elementos de comédia e romance pueris, típicos da década de 20 – que aqui no Brasil, foram explorados pelo folhetim global O cravo e a rosa, de 2001.

 

O enredo simplista, conta a trajetória de um já decadente time de várzea, os Duluth, liderados por Jimmy ‘Dogde’ Conelly, que apesar de sua idade avançada para os padrões de um jogador, ainda luta para se manter e conseqüentemente manter seu time na ativa. Para que isso aconteça, ele propõe ao novato – porém invencível – Carter Rutherford (John Krasinski, do lamentável Licença para casar), que se uma ao grupo, já que o garoto costuma levar multidões aos estádios por onde passa.

 

O único problema é que, na cola de Carter, está a charmosa jornalista Lexie Littleton (Renée Zellweger, a eterna Bridget Jones), mandada pelo periódico Times, para fazer uma matéria e descobrir um segredo que poderia acabar com a carreira meteórica do jogador. Do amor e das regras descritas no título brasileiro para o filme, resta apenas a deliciosa química entre Renée e Clooney, que, entre um jogo e outro, podem acabar caindo de amores um pelo outro.

 

 Currently listening: McFly, Radio [ACTIVE].