Acid Boy

Um blog feito por um Jornalista (por formação), e crítico de cinema (por insistência e paixão). Aqui se encontra, ao menos alguma parte de você em mim, nas minhas palavras e pensamentos. So, keep coming back for more!

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2008, 28

28.11.08

:: Crítica: estréia de Queime depois de ler ::

Current mood: okie dokie.

 

Queime depois de ler: irmãos Coen se encarregam em dar tom de humor negro em comédia enxuta.

 

 Contraditórios. Ousados. Infames. Criativos. Gênios. Descerebrados. Seja qual for o adjetivo que você use para classificar os diretores Joel e Ethan Coen, uma coisa é fato comprovado: suas criações jamais passam em branco na opinião da crítica e do público.

 

Depois do sucesso da comédia de humor negro Fargo (1996), os inseparáveis irmãos que sempre criam ou dirigem suas películas em conjunto, alcançaram o estrelato, adentrando para o instável hall de diretores famosos, que se solidificou com O grande Lebowski, dois anos depois.

 

Entre umas e outras derrapadas no meio do caminho, como no caso de Os matadores de velhinhas, com elenco encabeçado por Tom Hanks, o circulo do estrelato ficou realmente completo no Oscar deste ano, quando os irmãos Coen levaram para casa quatro estatuetas douradas, resultado do excelente suspense sanguinário Onde os fracos não têm vez, adaptação do livro Onde os velhos não têm vez., do escritor norte-americano Cormac McCarthy.

 

Aproveitando o embalo do sucesso da premiação, a dupla não esperou muito para voltar à ativa e às suas raízes da comédia de humor negro, reunindo um elenco recheado de estrelas para as filmagens de Queime depois de ler (Burn after reading, EUA, 2008). Depois de ser exibida nas mostras de cinema de São Paulo e do Rio de Janeiro há poucos meses, a fita finalmente estréia em circuito nacional, prometida para essa sexta-feira, 28 de novembro.

 

George Clooney, Brad Pitt, Frances Mcdormand, Tilda Swinton e John Malcovich encabeçam o elenco de uma trama recheada de traições, falcatruas, suspense e morte, tudo não necessariamente nessa ordem, afinal, linearidade e caretice estão longe de serem características dos projetos dos Coen.

 

John Malcovich é Osbourne Cox, um agente da CIA que acaba de ser demitido de seu cargo e que, para se vingar, resolve escrever um livro de memórias contando todos os podres do serviço secreto americano. Juntamente com a perda do emprego, Cox tem que conviver diariamente com sua mulher Katie (Tilda Swinton), que faz de tudo para se livrar do marido e correr para os braços de seu amante, o investigador federal Harry Pfarrer (George Clooney), um canalha que só quer se limitar a manter um relacionamento com sua esposa, e traí-la esporadicamente, com alguma mulher que ele conheça.

 

A trama toda começa a fluir, quando Osbourne perde o CD com todos seus dados em uma academia, na qual trabalham Linda Litzke (Frances Mcdormand, que já havia trabalhado com os Coen em Fargo), uma mulher de meia idade aficionada em cirurgias plásticas, mas que não tem um tostão furado, e seu colega de trabalho, o personal trainner Chad (Brad Pitt). Com posse do CD, ambos resolvem chantageando o ex-agente da CIA, fazendo assim, o dinheiro mais rápido de suas vidas.

 

Como é de costume nas filmagens dos Coen, crimes sempre andam de mãos dadas com castigos, e no decorrer de Queime depois de ler, cadáveres acabam se empilhando durante os enxutos – e aproximados – 90 minutos de fita, das maneiras mais esdrúxulas e inimagináveis.

 

As atuações de Frances Mcdormand e Brad Pitt nos proporcionam momentos hilários, que infelizmente já haviam sido mostrados nos traileres e teasers antes do lançamento do filme. Talvez o fato das cenas estarem em seu devido contexto, façam a diferença para aqueles que já haviam tido uma mostra do filme.

 

Mas acima de qualquer suspeira, o que realmente deve ser considerado em Queime depois de ler, é o fato dos irmãos Coen terem presenteado atores que, já há algum tempo, estavam congelados e petrificados em papéis que Hollywood muitas vezes impõe.